Desenvolvimento Sustentável na Construção Civíl

Em tempos de crise, a solução continua a mesma: vender
9 de janeiro de 2017

Desenvolvimento sustentável não é apenas uma bandeira de ecologistas e já se constituiu em uma preocupação real para a indústria da construção civil a nível internacional, com suas atividades possuindo grandioso impacto ambiental, sendo o setor o maior consumidor individual de recursos naturais, gerando poluição, etc. A reciclagem de resíduos, sejam eles próprios ou gerados pelos demais setores industriais, é uma das tendências para redução do impacto ambiental da construção civil, particularmente o nível de consumo de recursos naturais, conforme  dados estatísticos são apresentados no concernente a este impacto. São bastante complexas as atividades inerentes à pesquisa e desenvolvimento de novos materiais e componentes, determinando um trabalho multidisciplinar, envolvendo de engenheiros a pesquisadores da área de saúde.

 

1.  INTRODUÇÃO


A realização de uma abordagem inerente ao desenvolvimento sustentável sob os aspectos da indústria

da construção civil, incentivar o desenvolvimento de projetos e de novas tecnologias que proporcionem a redução da geração de resíduos, do uso racional de recursos naturais tais como a energia e a água, da utilização de materiais ambientalmente corretos e de determinar parâmetros para estudo ambiental de edifício, se constituem em diretrizes que têm levado o COMASP – Comitê do Meio Ambiente do SindusCon-SP-  a desenvolver em parceria com universidades, centros de pesquisa, consultores especializados e fornecedores de projetos voltados para a sustentabilidade. As atividades relacionadas à construção civil possuem enorme impacto ambiental, que se estendem desde as mineradoras até a demolição de um empreendimento. O evolutivo interesse e conscientização da questão concernente à sustentabilidade despertaram a motivação para o estudo no setor da construção civil, que tem sido apontado como de forte importância para a transformação do meio ambiente.

A história do mundo demonstra que a construção civil sempre existiu para atender as necessidades  básicas  e  imediatas  do  homem  sem  preocupação  com  a  técnica aprimorada  em  um  primeiro  momento.  O  homem  pode  ser qualificado diferencialmente dos demais seres vivos por inúmeras características, entre elas se  inclui  o  dinamismo  de  produzir  e  transformar  continuamente  suas  técnicas através de aperfeiçoamento e estudo contínuo dos resultados. A constituição das cidades  exigiu  qualificação  e  técnicas  mais  apropriadas  e  vantajosas  para  se construir edifícios cada vez mais sustentáveis. Surgem as edificações concebidas com responsabilidade social.

É urgente a identificação das características técnicas que propiciem a execução de  um  edifício  ecologicamente  correto  tais  como:  condicionamento  de  ar, posicionamento de fachada em relação ao nascente/poente do sol, destinação de resíduos sólidos, reuso de água dentre outros. Também, uma profunda reflexão das principais causas de um estudo preliminar inadequado ou apressado da fase inicial do projeto, tais como: falta de observação  da orientação magnética, análise incoerente  quanto  ao  correto  uso  da  edificação,  preocupação  somente  com questões financeiras construtivas sem projeção de custos de manutenção desta edificação.

A  conceituação  de  sustentabilidade  na  construção  civil  varia  de  acordo  com posição  em  que  se  encontra  o  etimologista.  Vários  “autores”  a  conceituam emprestando-lhe um enfoque pessoal concomitante a área que lhe é familiar: o ecologista, o biólogo, o engenheiro e até o leigo,  porém este, consciente de sua responsabilidade e inserção no meio em que vive. O conceito de Desenvolvimento Sustentável é apresentado pela primeira vez na década  de  80  pelo  Relatório  Brundtland,  aos  temas  relacionados  aos  sistemas que envolvem a Construção Civil. É feita uma reflexão sobre a real abrangência e o  alcance  destes  conceitos  de  sustentabilidade  ao  tema  principal  da  pesquisa, que é a sustentabilidade na construção civil.

Em  1992,  a  declaração  do  Rio  sobre  o  meio  ambiente  é  o  resultado  das discussões  da  Conferência  das  Nações  Unidas  sobre  Meio  Ambiente  e Desenvolvimento,  que  ocorreu  em  junho  no  Rio  de  Janeiro,  a  ECO-92, reafirmando  a  Declaração  da  Conferência  das  Nações  Unidas  sobre  o  Meio Ambiente Humano, realizada em Estocolmo, em 1972.

A cadeia produtiva da construção civil apresenta importantes impactos ambientais e todas as etapas e qualquer sociedade que esteja realmente preocupada com a questão inerente aos impactos ambientais, deve priorizar o aperfeiçoamento da construção civil. Em primeiro lugar, o enorme peso do macro-complexo da construção civil na economia, onde é responsável por 40 % formação bruta de capital e enorme massa de emprego fazem com que qualquer política abrangente deva necessariamente abranger o setor. Em segundo lugar, o macro-complexo da construção civil é um das maiores consumidoras de matérias primas naturais. Estima-se que a construção civil consome algo entre 20 e 50% do total de recursos naturais consumidos pela sociedade. No presente momento a discussão sobre sustentabilidade avança e envolve cada vez mais, profissional de diversas áreas; e estes, em certos momentos se reúnem para  trabalhar  em  conjunto  na  busca  de  soluções  para  este  desafio  proposto.

 

2. DESENVOLVIMENTO


Conforme conceito de Sjöstrom (1996),[1]desenvolvimento sustentável pode ser definido como uma forma de desenvolvimento econômico que emprega os recursos naturais e o meio ambiente não apenas e beneficio do presente, mas também das gerações futuras. Tornar nossas formas de desenvolvimento econômico sustentáveis deixou de ser uma bandeira de ecologistas sonhadores para ser um conceito importante na comunidade de nações. A certificação ambiental retratada na série normas ISO 14000 e que já está em implementação no Brasil é a parte mais visível desta mudança.

O CIB (lnternational Council for Building Research and Documentation) colocou entre suas prioridades de pesquisa e desenvolvimento o desenvolvimento sustentável. A European Construction Industry Federation possui agenda específica para tema (INDUSTRY & ENVIRONMENT, 1996).[2]

A Civil Engineering Research Foundation (CERF) entidade dedicada a promover a modernização da construção civil dos Estados Unidos, de acordo com Bernstein (1996),[3]  realizou uma pesquisa entre 1500 construtores, projetistas e pesquisadores de todo o mundo visando detectar quais as tendências consideradas fundamentais para o futuro do setor, em cuja pesquisa a questão ambiental foi considerada a segunda mais importante tendência para o futuro conforme mostra a figura 01. Embasada nestes resultados a entidade definiu 38 diferentes propostas de pesquisa.

 

GLOBALIZAÇÃO     

INFORMATICA  

PARCERIAS

RENOVAÇÃO

MEIO AMBIENTE

NORMALIZAÇÃO

PRÉ-PROJETO E

PLANEJAMENTO

 

O consumo de agregados, por exemplo, é imenso. Algumas reservas de matérias primas tem estoques bastante limitados. As reservas mundiais do cobre, por exemplo, tem vida útil estimada de pouco mais de 60 anos. Em uma cidade como São Paulo o esgotamento das reservas próximas da capital faz com que a areia natural seja transportada de distâncias superiores a 100 km, implicando em enormes consumos de energia e geração de poluição. O setor envolve processos intensivos em energia, geradores de poluição e, dada sua dispersão espacial, transporte a grandes distâncias. Cerca de 80 % energia utilizada na produção do edifício é consumida na produção e transporte materiais (INDUSTRY AND ENVIRONMENT, 1996).

Presente em praticamente grande parte das atividades do macro-complexo, da extração da matéria prima, transporte, produção de materiais como cimento e concreto e a execução de atividades em canteiro está à geração de partículas de poeira. De forma adicional, a produção de cimento e cal envolvem a calcinação do calcareo, lançando grandes quantidades de CO2 na atmosfera: ou seja, para cada tonelada de cal virgem a produção é de 785 kg de CO2 ou mais de 590 kg de CO2 para uma tonelada de cal hidratada. Outros materiais utilizados pelo setor geram importantes resíduos, como a indústria siderúrgica e metalúrgica, cerâmica, etc.

A fase de uso dos edifícios e outras construções também possuem impacto ambiental específico. Energia é consumida para iluminação e condicionamento ambiental. Estes consumos são, em grande medida, controlados por decisões de projeto em cuja fase a extensão e impacto ambiental são decididas. O uso da forma de água servida e poluentes distintos, tais como poeiras em áreas pavimentadas, compostos orgânicos voláteis, e CFC –clorofluorcarboneto- dos aparelhos de ar condicionado. A manutenção, que no transcorrer  da vida útil de um edifício vai consumir recursos em volume aproximadamente igual aos despendidos na fase de produção, também gera poluição. (JOHN, 1996).[4]

Em terceiro lugar, a construção civil é potencialmente uma grande consumidora resíduos provenientes de outras indústrias, sendo que na atualidade, este setor já se classifica como um grande reciclador de resíduos oriundos de outras indústrias. Resíduos como a escória granulada de alto forno e cinza volante são incorporados rotineiramente nas construções.

O impacto da demanda ambientar sobre a construção civil não pode ser subestimado. Kilbert (1995)[5]propôs seis princípios:

  • Minimizar o consumo de recursos (Conservar)
  • Maximizar a reutilização de recursos (Reuso
  • Usar recursos renováveis ou recicláveis (Renovar / Reciclar)
  • Proteger o meio ambiente (Proteção da Natureza)
  • Criar um ambiente saudável e não tóxico (Não tóxicos)
  • Buscar a qualidade na criação do ambiente construído (Qualidade)

Conforme destaca Sjöström (1996),[6]a durabilidade perde sua importância importante apenas do ponto de vista econômico passando a significar o tempo em que atividades que aludiram em determinado impacto ambiental  exerce sua função social tornando mínimo o consumo de recursos.

Dentro deste este contexto, de acordo com John et al., (1996),[7]a vida útil do edifício e suas partes são governadas não somente pela taxa de degradação física dos seus componentes, mas também pela degradação social que deve ser controlada pela possibilidade readequação às mudanças nas necessidades dos usuários.

Independente do ponto de vista adotado, segundo conceitos de John (1987),[8]a questão ambiental deverá modificar todo o paradigma de desenvolvimento e avaliação de projetos, com a seleção  de materiais deixando de ser realizada alicerçada tão somente em critério estéticos, mecânicos e financeiros, mas estará condicionada a diferentes questões corno contaminação do ar interno considerando as taxas de ventilação ambiental durabilidade no ambiente a que os mesmos serão expostos, de possíveis impactos ambientais da sua deposição e das possibilidades de reciclagem serão partes integrantes das atividades diárias dos engenheiros e arquitetos.

 

2.1  Desenvolvimento sustentável

O conceito, a percepção, o entendimento e a aceitação da sustentabilidade e do desenvolvimento sustentável ainda são relativamente pouco conhecidos e só recentemente disseminados. Costanza et al., (2005),[9]traça um paralelo entre os atuais problemas globais, a exemplo de pandemias – AIDS, aquecimento global, consumo de energia, colapso financeiro atual, terrorismo internacional -, e a sustentabilidade, com observação de que, no passado, os dirigentes socioeconômicos eram locais ou regionais, enquanto que na atualidade estamos todos interconectados globalmente, questionando  se a presente civilização global se amoldará e sobreviverá com o elevado acúmulo de problemas interligados. Tal reflexão requer um conhecimento novo e mais integrado de como as pessoas interagem umas com as outras, com os recursos, com as outras espécies e com o meio ambiente.

Gera e suscita dúvidas se é possível ainda achar descrentes e desinformados sobre o assunto. Portanto, seria admissível inquirir se sustentabilidade é utopia ou realidade?

Entre  o  possível  e o  utópico,  Bonilla (2007),[10]  parte  do  conceito  registrado  no dicionário de que utopia é aquilo que é impossível, considerando o sentido comum das pessoas. Entretanto, argumenta que é possível  redefinir o conceito  para aquilo que é impossível em um determinado contexto e ressalta que objetos criados pelo homem, sem exceção,  foram de início ideias  utópicas  que  se transformaram  depois em realidades concretas.

Homogêneo a linha de pensamento, segundo Keinert  (2007,  p.13):[11]

…utopia  da sustentabilidade demanda inovações para concretizar-se. Inovações estas de todo o tipo,  quer  sejam  organizacionais,  gerenciais,  tecnológicas  ou até  no  modo  de  vida pessoal e de interação social”.

Ao ser inquirido sobre o que é sustentável,  Veiga (2008),[12]  apresenta três padrões basilares de  respostas  de  outros  autores:  os  que  acreditam  não  existir  dilema  entre conservação ambiental e crescimento econômico e que imaginam  possível combinar essa  dupla  exigência,  embora  não  exista  ênfase  científica  alguma  sobre  as condições  em  que  tal  conciliação  possa  ocorrer, os  ultra otimistas  de  que  o crescimento  econômico  só  danificaria  o  meio  ambiente  até  determina o  patamar de  riqueza,  dado  pela  renda  per  capita  e  que,  a  partir  de  determinado  momento, haveria  uma  tendência  de  inversão  que  levaria  a  melhorar  a  qualidade  ambiental; por fim, o que se poderia chamar de  caminho do meio,  que harmoniza objetivos sociais, ambientais e econômicos.

No inerente à  sustentabilidade,  Brunacci  & Philippi  Jr  (2005 )[13]  em referência  à  Conferência  das  Nações  Unidas  sobre  o  Meio  Humano,  ocorrida  em Estocolmo  em  1972,  proclamam  que  (Declaração  nº  1)  “O  homem  é,  a  um tempo, resultado e artífice do meio que o circunda ,  o qual lhe dá o sustento material e  o  brinda  com  a  oportunidade  de  desenvolver-se  intelectual,  moral,  social  e espiritualmente”.

 

2.2  Reciclagem e desenvolvimento sustentável

Resíduos são subprodutos gerados pelos processos econômicos, incluindo atividades de extrativistas, produção industrial e de serviços, bem como do consumo até mesmo de preservação ambiental, como a microssílica, a escória de sinterização de resíduos urbanos, todos com emprego na construção civil.

As possibilidades de redução dos resíduos gerados nos diferentes processos produtivos apresenta limites técnicos objetivos. Resíduos, deste modo, sempre existirão. A política de proteção ambiental hoje vigente é voltada quase que exclusivamente para a deposição controlada dos resíduos. Esta política apresenta limites diversos. O primeiro é que os aterros controlados são desperdício por tempo indefinido de um recurso limitado, solo. Além de concentram enormes quantidades de resíduo perigosos sempre sujeitos a acidentes de graves consequências. Para controlar o risco de acidentes a normalização destes aterros tem recebido aperfeiçoamentos constantes. Estes aperfeiçoamentos tem levado o preço destes serviços a valores muitas vezes insuportáveis, que facilmente ultrapassam a US$100 / ton na grande São Paulo. Este custo é um fator de limitação da qualquer política por várias razões, dentre as quais destacamos o fato de tornar as empresas geradoras de resíduos inimigas destas políticas.

Por outro lado, a reciclagem se constitui como uma significativa oportunidade de transformação de uma fonte importante de despesa em uma fonte de faturamento ou, pelo menos, de redução das despesas de deposição. Uma grande siderúrgica, por exemplo, produz mais de 1 milhão de toneladas de escória de alto forno por ano que valem no mercado cerca de 10 milhões de reais, sem contar a eliminação das despesas com o gerenciamento do resíduo. Contrariamente à disposição controlada dos resíduos, a reciclagem é atrativa às organizações. Se na ponta geradora do resíduo a reciclagem significa redução de custos e até mesmo novas oportunidades de negócio, na outra ponta do processo, a cadeia produtiva que recicla reduz o volume de extração de matéria primas, preservando os recursos naturais limitados.

A incorporação de resíduos na produção de materiais conforme assevera John (1995) também pode reduzir o consumo de energia, seja porque estes produtos frequentemente incorporam amplas quantidades de energia ou porque podem diminuir as distâncias de transporte de matérias primas. No caso das escórias e pozolanas, é este nível de energia que consente produção de cimentos sem a calcinação da matéria prima, tolerando uma redução do consumo energético de até 80%. Concluindo, a incorporação de resíduos no processo produtivo muitas vezes permite a redução da poluição gerada. Por exemplo, a incorporação de escórias e pozolanas reduz substancialmente a produção de CO2 no processo de produção do cimento.

Finalmente conforme ainda John (1997) a incorporação de resíduos consente muitas vezes a produção de materiais com melhores características técnicas, sendo este o caso da adição de microssílica, que torna viável concretos de alta resistência mecânica e da escória de alto forno, que melhora o desempenho do concreto frente à corrosão por cloretos. O incentivo a reciclagem deve ser então uma parte importante de qualquer política ambiental.

 

2.3  Reciclagem primária X secundária

 

As probabilidades de reciclagem inerentes a resíduos dentro do mesmo processo responsáveis por sua geração são limitadas ou muitas das vezes, de elevado custo. Assim, a reciclagem secundária dos resíduos é alternativa que deve ser explorada. A reciclagem primária é definida como a reciclagem do resíduo dentro do mesmo processo que o originou, sendo muito comum e possuindo grande importância produção do aço e vidro, mas é muitas vezes técnica ou economicamente inviável. Dificuldades com a pureza e necessidade de controle estreito da uniformidade das matérias primas, a concentração de plantas industriais e determinadas regiões tomando necessário o transporte de resíduos as longas distância são fatores que diminuem a competitividade da reciclagem primária. Já a reciclagem secundária, definida com a reciclagem de um resíduo em outro processo produtivo que não aquele que o originou apresenta inúmeras possibilidades, particularmente no macrocomplexo da construção civil. (THE ECONOMIST, 1993).

Como já descrito, a construção civil utiliza grandes volumes de diferentes materiais. Diferente de outras indústrias, a maioria dos materiais utilizados são de composição e produção simples – especialmente de componentes que fazem uso do cimento Portland – toleram variabilidade razoável e exigem baixas resistências mecânicas. Finalmente atividades de produção relacionadas ao macrocomplexo estão presentes em todas as regiões de qualquer país. Muitos dos produtos da construção civil estarão protegidos do contato direto com as intempéries. Este aspecto pode ser interessante no encapsulamento de resíduos industrial perigosos. Muita pesquisa tem sido feita neste sentido, infelizmente sem atentar para eventuais problemas de saúde dos trabalhadores e usuários das construções.

 

2.4  Reciclagem de resíduos e a multidisciplinaridade

 

John (1996) apresenta esboço de metodologia para pesquisa e desenvolvimento de reciclagem de resíduos com materiais de construção civil. Resumidamente, a reciclagem de resíduos como material de construção envolve:

  1. a caracterização física e química e da microestrutura do resíduo, incluindo o seu risco ambiental;
  2. busca de possíveis aplicações dentro da construção civil, considerando as características do resíduo desenvolvimento de diferentes aplicações, incluindo seu processo de produção;
  3. análise de desempenho frente às diferentes necessidades dos usuários para cada aplicação específica;
  4. análise do impacto ambiental do novo produto, em uma abordagem cradle to grave, que necessariamente deve envolver avaliação de riscos a saúde dos trabalhadores e usuários.

O desenvolvimento destas atividades exige a capacidade de integração conhecimentos característicos de diferentes especializações, em uma atividade multidisciplinar típica, envolvendo profissionais de áreas tão diversas como Ciências da Vida (medicina, biologia) e Químicos ou Marketing e Engenharia de Materiais. Todas elas igualmente importantes na viabilização de uma reciclagem. É recomendável que participe do processo um especialista da indústria que produz o resíduo. Somente um especialista nesta área pode trazer informações sobre a exata composição do resíduo, amplitude da variabilidade de sua composição química e até mesmo julgar a possibilidade de alterar algum aspecto do processo produtivo gerador do resíduo de forma a tornar a reciclagem mais competitiva.

A integração dos conhecimentos e do universo da construção civil com os conhecimentos da área de ciência da vida é, quando se investiga a reciclagem ou encapsulamento de resíduos potencialmente nocivos, um dos aspectos mais importantes. Apesar desta importância até o momento não existe metodologia satisfatória disponível. A integração dos conceitos de marketing e finanças talvez seja a menos compreendida entre os pesquisadores, mas nem por isso deixa de ser uma das mais importantes. Qualquer produto, contendo resíduos ou não, precisa ser adequado ao mercado. Em um setor conservador como a construção civil, com pouca experiência na inovação tecnológica, a introdução de um novo produto no mercado necessita ser realizada de acordo com um plano previamente estudado e definido. (JOHN, L996)

A viabilidade financeira é indiscutivelmente fundamental em todas as etapas, devendo ser avaliada levando em conta o valor de mercado do produto, com os custos do processo de reciclagem mais o custo da disposição em aterro. Uma metodologia específica precisa ser desenvolvida. A importância deste aspecto é facilmente percebida levando-se em conta que muitos produtos, tecnicamente viáveis e plenamente desenvolvidos nunca chegam ao mercado. Esta abordagem multidisciplinar necessária ao desenvolvimento vai requerer habilidades adicionais aos engenheiros civis envolvidos no processo.

No entendimento de John (1996), complexidade e multiplicidade de pessoas e aspectos envolvidos no projeto exigem o desenvolvimento de uma abordagem sistêmica, onde o impacto de cada decisão ou resultado experimental é avaliado simultaneamente em todas as demais atividades que estão sendo desenvolvidas. É também necessário uma compreensão mínima e um entendimento da linguagem e um reconhecimento da importância das demais disciplinas. Isto exige um nível mínimo de conhecimento técnico sobre cada uma. Este nível de conhecimento somente poderá ser obtido a partir de uma formação holística do profissional.

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O conceito de desenvolvimento sustentável está criando profundas raízes na sociedade e, sem duvidas, deverá alcançar as atividades do macro-complexo da construção civil, da extração de matérias primas, produção de materiais de construção, chegando ao canteiro e as etapas de operação/manutenção e demolição. A reciclagem de resíduos de outras indústrias é uma tendência que deverá se aprofundar no setor. O desenvolvimento de produtos contendo resíduos, alguns deles perigosos, é atividade multidisciplinar. Os engenheiros civis deverão ser preparados para o desenvolvimento destas atividades.

A sustentabilidade tem seu conceito  largamente  debatido  no transcorrer  das últimas  quatro  décadas, fato que  pode  ser  percebido  pela  vasta  quantidade  de documentos  de  compromissos  produzidos  por  diversas  instituições governamentais,  ONG’s  e  congressos  espalhados  pelo  Brasil  e  no  mundo.  Contudo, não é possível ainda perceber com nitidez a aplicabilidade de tais ações pactuadas, na busca pelo desenvolvimento de uma construção civil sustentável.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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